Assistir à Danca da Cana (Umhlanga, em seswati) foi o fim último que me levou a Ludzidzini, Suazilândia. Este fim levou não só a mim mas a duas outras pessoas também. Houve um carro com combustível disponível – isto embelezou a minha ideia inicial de ir no transporte público. Esperava que houvesse telefone, Internet e GPS durante a viagem. E, de facto, houve – mas não de mim; houve-o dum companheiro de viagem (com telefone por contracto).
Fiz pesquisa sobre quando e onde ia decorrer a cerimónia; Google (Search), Google Earth indicaram uma semana de cerimónia (terminando no dia 29 de Agosto) e Lobamba era o local. Eu partiria no dia 27, passaria a noite em Lobamba, visto que a exibição pública da cerimónia aconteceria nos dois últimos dias. Dia 27 (sábado) seria dia de descanso. Receei dizer isso aos companheiros da viagem, que insistiram que fôssemos no sábado para voltarmos no mesmo dia.
Com efeito, partimos no sábado por volta das 7 horas e não pontualmente às 6, como tínhamos combinado; motivo: o carro, tendo vontade, “não quer[ia] pegar.” Felizmente, não demorou muito para mudar de vontade. Lá íamos nós no território da Suazilândia. Minutos depois, somos obrigados a parar pela polícia de trânsito. Passaram-nos multa de 40 Emalangeni; a buzina do carro não soava como devia. Continuámos com a marcha até Mpaka, onde fomos multados de novo (em cerca de 200 Emalangeni), não pela buzina; antes, pelo buraco que se vê na imagem acima e pelo facto de o vidro do lado da condutora não se mover. Impressionante: desta vez, nem mencionaram a buzina…
Sem mais problemas, o GPS conduziu-nos até Lobamba. Sentimo-nos, por uns instantes, perdidos, justamente no lugar onde queríamos chegar. Reconhecemos o lugar pelas vestes da cerimónia nalgumas pessoas.
Ficámos pasmos quando vimos meninas a se lavarem totalmente nuas aos olhos de todos à vontade… Disseram-nos que tinham ido cortar cana no dia anterior; aquele sábado era dia de repouso. Como não tínhamos ido ver repouso, avançámos para Mbabane; precisávamos de comer alguma coisa, já eram 10 horas.
Experiência pessoal e GPS levou-nos a Mbabane, mas não ao centro da cidade. Lembro-me de termos ignorado a sugestão do GPS de sairmos de MR3. Pagámos o preço disso com suspense na auto-estrada… Suspense: víamo-nos a ultrapassar a cidade, mas não sabíamos como lá chegar; não podíamos parar; a estrada ia continuando em direcção a fronteira com a África do Sul. Final e felizmente, aproximámo-nos dumas bombas de combustível onde estacionámos e pedimos informação. Deram-nos, na verdade, informante que também ia ao centro da cidade.
Eram cerca de 11:30, tínhamos saído por volta das 7 de Namaacha; mijar, comer eram inadiáveis. Bem adiáveis foram as compras que fizemos…
Voltar para casa impunha-se para os outros. Eu não voltaria sem alcancar o fim primeiro e último da viagem. Deixaram-me em Manzine. Tal como em Mbabane, comprei daquelas comidas que nunca gostei, mas tinha que comer. Tinha que descansar também; Msizie, moça simpática, ajudou-me a encontrar um hotel barato (single bed, no tv a 220 Emalangeni). Nada mal: tomei banho com água fria, comi. Precisei de Internet, não tinha; precisei de carregar o meu telemóvel, não tinha adaptador para a tomada do meu quarto.
Telemóvel-despertador completamente descarregado. As buzinas barulhentas dos transportes (disputando passageiros) acordaram-me. Meto-me na casa de banho e apercebo-me de que não havia água. Saí a Lobamba sem ter tomado banho. Que fazer? Em Lobamba, um guarda da Royal Residence disse-me que eu havia chegado cedo demais. Devia aguardar umas 5 horas, pois a cerimónia começaria às 13 – pelo menos, não tinha chegado tarde demais… ![]()


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